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O consenso

Aristóteles  (384 a.C. – 322 a.C.)

Quando os homens são amigos não necessitam da justiça, ao passo que os justos necessitam também da amizade

2 de outubro de 2022. Primeiro turno de eleições presidenciais de um Brasil polarizado. Atualmente, o voto é a nossa principal forma de manifestar o desejo de mudança ou de manutenção da situação em que vivemos. O voto é um instrumento importante, mas ele demonstra uma grande fragilidade da nossa sociedade: precisamos votar para definir os rumos dela. Atualmente, o voto representa que uma maioria vai viver com a decisão que quer, enquanto a outra parte precisa tolerar ou engolir. Além disso, o voto transfere todo o poder de decisão do cidadão a alguém que tem suas próprias virtudes e desejos pessoais - o que pode desmoronar o sistema de representatividade.

Independentemente do resultado das eleições, observar os valores definidos pela e para a sociedade brasileira, declarada no preâmbulo da Constituição Federal de 1988:

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Esse texto partiu de um mecanismo muito peculiar: o consenso. De acordo com o "Guia do Consenso" (A Consensus Handbook - saiba mais aqui e baixe o guia gratuitamente neste link) o consenso é:

Guia do Consenso

Uma forma criativa e dinâmica de chegar a um acordo entre toodos os membros de um grupo. Ao invés de simplesmente votar por um item seguir pelo caminho da maioria, um grupo em consenso está comprometido a encontrar soluções que todos apoiem, ou pelo menos consigam viver com elas.

É claro que isso requer energia, paciência e compreensão de todos os participantes. Mas existem técnicas interessantes apresentadas no guia que podem ser aplicadas a qualquer ambiente:

  1. Introduzir o tema e esclarecer os pontos que requerem decisão;
  2. Explorar o a situação e procurar ideias: compartilhar preocupações e necessidades;
  3. Procurar propostas que enderecem os problemas;
  4. Discutir, esclarecer e aperfeiçoar as propostas;
  5. Validar a concordância do grupo: entender se há restrições, discordância ou concordância com os termos;
  6. Implementar a decisão.

Não preciso saber em quem você votou. E nem você precisa saber em quem eu votei. De qualquer maneira, podemos ser amigos por uma sociedade que funciona bem para todos nós.