No início da pandemia de COVID-19 comecei a fazer testes na minha rotina de isolamento. Uma delas foi o jejum intermitente, que pratico há 638 dias.
A Promessa
Ao ler sobre o assunto, a principal "promessa" oferecida é a que a pessoa pode comer de tudo durante um período de tempo, após passar por um jejum. Existem aplicativos que ajudam a organizar os planos de jejum para que a pessoa consiga passar fome com um maior nível de controle emocional.
O Início
Começar foi fácil. Observei outros membros da família que ficavam 16 horas em jejum e tinham uma "janela" de 8 horas para fazerem suas refeições. Na prática, isso implica em pular uma refeição e não ingerir calorias no período do jejum.
Minha experiência
Não tive os problemas que as pessoas normalmente têm quando aderem ao jejum intermitente. Pelo contrário, encontrei uma rotina alimentar que me dá a liberdade de comer o que me desse vontade. Testei jejuns maiores e logo estava fazendo 18 a 20 horas, deixando uma janela menor para a alimentação.
"Abrir a janela" torna-se um momento mágico, em que a comida ganha um sabor diferente e você simplesmente vira um receptáculo de comida. A impressão que dá é que você é capaz de comer qualquer coisa que vier pela frente. Eu chego a fazer planos para as janelas, com cardápios específicos em alguns dias.
Normalmente, tenho uma ingestão calórica entre 2500 a 3000 calorias durante a janela. Ou seja, o que uma pessoa come durante um dia, eu como em uma refeição.
A primeira resposta do meu corpo foi a redução de peso. Cheguei a um patamar desejado e mantenho o mesmo peso há quase dois anos, sem flutuações ou efeito sinfonia.
Senti também alguns benefícios diretos do modelo alimentar: me senti mais leve durante o dia, mais disposto, focado e, sobretudo, livre. Continuo fazendo porque encontrei no jejum um estilo de vida.
Jejum na rotina
A vida social humana é muito voltada para a comida. Portanto, a pessoa precisa se programar para estar com a janela aberta em momentos de confraternização com outros humanos.
A conciliação do jejum com as atividades físicas pode ser um desafio. Experimentei sair do jejum antes ou depois de atividades físicas de maior impacto. Atualmente, prefiro fazer essas atividades em jejum e abrir a janela imediatamente depois.
Desafios
O jejum não é para todos. Se você busca ganho de massa muscular, há alguns artigos cientificos que indicam que o jejum contribui menos para essa finalidade que o clássico frango com batata doce de 3 em 3 horas.
De um modo geral, não sinto fome. Quando ela bate, bebo água ou café que logo passa a vontade. No entanto, tem vezes que estou preparando algum prato para o dia seguinte e fico "uivando".

Resumo
- Me identifiquei muito com o estilo de vida do jejum;
- Os efeitos no corpo foram muito positivos;
- Consegui organizar minha rotina para não gerar impactos no jejum;
- Meu nível de disposição e atenção aumetou;
- De um modo geral, como em minutos o que uma pessoa come ao longo do dia. Não sinto fome nas 20 a 24 horas até a próxima refeição;
- Vale a experiência.