O futuro do emprego - Thiago Branquinho

O futuro do emprego

Robôs. Inteligência Artificial. Blockchain. Internet das Coisas. Computação na Nuvem. Impressoras 3D. Drones.

O futuro não é mais como era antigamente.

Paul Valéry (1871-1945)

Dos clássicos da ficção científica, nos faltam poucas coisas a fazer de verdade, como os sabres dos Jedi e Sith de Star Wars, a motosserra usada nas cenas finais de Sharknado 3, viagem no tempo e naves na velocidade da luz. Até colonizar Marte e teletransporte (por enquanto, somente de partículas) já entraram para a agenda (se você não sabia, veja aqui e aqui).

Brincadeiras a parte, estamos realmente vivendo um período da história em que colocamos a humanidade entre potenciais utopias e distopias. Um tema recorrente dessas análises está na mudança no panorama das vagas de emprego.

Aceite: o seu emprego pode desaparecer

Em pesquisas recentes, conduzidas por Erik Brynojolfsson, observa-se que as vagas no futuro tendem a se estabelecer em dois extremos: nada qualificadas (mais baratas que robôs) e altamente qualificadas (para criar e manter as novas tecnologias). Ele e seu colega Andrew McAfee ainda mostram que a taxa de criação de empregos novos é mais lenta que a taxa de empregos tomados pela tecnologia, ou seja – vai faltar emprego. Um resumo do trabalho deles pode ser lido aqui (recomendo a leitura!). Também vale a pena ler a entrevista com os dois autores sobre o descolamento entre o faturamento das empresas e a renda per capta aqui – de fato, parece que as empresas começaram a ganhar mais e as pessoas não acompanharam o ritmo.

Sem dúvida, pode-se considerar que os empregos com tarefas repetitivas serão, em maioria, substituídos por máquinas (sobrarão aqueles em que as pessoas são mais baratas que os sistemas). As posições que requerem alta qualificação, por enquanto, vão existir – pelo menos até todo o conhecimento humano registrado ser absorvido por sistemas de inteligência artificial e, assim, permitir que os sistemas sejam autossuficientes.

As tecnologias digitais estão fazendo para o cérebro o que a máquina a vapor e as tecnologias relacionadas fizeram para os músculos durante a Revolução Industrial. Elas estão nos permitindo superar rapidamente muitas limitações e passar novas fronteiras com velocidade sem precedentes.

Andrew McAfee

Devido a natureza adaptativa dos humanos, o cenário pode representar um mundo repleto de oportunidades. A mesma tecnologia que destrói empregos, pode trazer novos modelos de negócio e posições de trabalho (inclusive as de gerenciamento e aprimoramento das tecnologias). O empreendedorismo será alavancado de forma única. Por exemplo, conteúdos digitais exclusivos poderão ser criados e comercializados através de sistemas baseados em blockchain, garantindo a propriedade intelectual e viabilizando uma real distribuição de renda (caso se interesse pelo assunto, assista a este vídeo de Don Tapscott no TED!). Da mesma forma, pequenas fábricas locais com manufatura digital (impressoras 3D, CNC, essas coisas) poderão descentralizar a produção industrial, desenvolvendo mercados regionais e eliminando custos de frete e até mesmo matéria prima (considerando novas tecnologias de reciclagem de materiais).

Recessão profunda e discrepâncias sociais

Acabar com os empregos pode agravar as diferenças sociais. Não vou discutir um tema que já foi amplamente apresentado no cinema, em filmes como em Exterminador do Futuro, Elysium, Mad Max, Waterworld, etc.

Renda básica universal

Como disse Elon Musk (a figura humana mais próxima do Tony Stark – o Homem de Ferro), “os robôs tomarão o seu emprego e o governo vai pagar o seu salário” (ouça a entrevista aqui). A ideia de receber um salário por simplesmente ser humano é uma discussão que tem feito parte da pauta de diversas comunidades (inclusive, recentemente, a Suíça descartou essa possibilidade em um referendo). Afinal, a partir do momento em que as máquinas substituem as pessoas e geram renda, esse dinheiro precisa ir para alguém, correto?

A origem para os fundos para pagar a renda básica mensal viria do “lucro” da administração pública, a partir da economia gerada pelos impostos ou pelas empresas públicas. Ou seja, as empresas trocam as pessoas pelos robôs e pagam impostos ao governo por suas vendas. O governo recebe os impostos, paga as contas públicas e, o que sobrar, pode ser aplicado para a geração de renda passiva. Os ganhos podem ser divididos com a população, que é “dona” do país. Completando o ciclo, as pessoas usariam a renda básica para comprar os produtos feitos pelos robôs.

Ainda há muito para se definir sobre essa prática, vamos aguardar os próximos “capítulos” da economia global.

Mais artes e humanidade

Usar a tecnologia para distribuir renda não necessariamente vai criar um secto de inúteis. Considerando um cenário em que as pessoas passam a ter mais tempo livre, diversas iniciativas podem utilizar melhor o tempo. Pode-se investir mais nas comunidades, com o suporte humano aos mais novos e/ou aos mais idosos. Mutirões de organização pública poderão ocorrer com maior frequência, o que pode melhorar significativamente a qualidade de vida nas cidades, grupos artísticos podem ser formados e, sem dúvida, mais pesquisadores, inventores e empreendedores estarão livres para criar coisas novas.

Não escondendo o meu otimismo perante um cenário desses, eu diria que cada pessoa poderá oferecer o melhor de si para a sociedade, e cada um poderá viver da sua própria “arte”.

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